terça-feira, 22 de março de 2011

JURISPRUDENCIA DA IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA


A Lei de Improbidade Administrativa (Lei 8.429/92) já não pode ser considerada uma novidade legislativa. No entanto considerando sua importância, vale fazer um panorama geral dos entendimentos jurisprudenciais mais importantes a cerca desse instituto.
A lei traz três modalidades da improbidade administrativa, que são, a) enriquecimento ilícito do agente (art. 9); b) prejuízo ao erário (art. 10); e c) violação aos princípios de administração (art. 11). O STJ consagrou entendimento de que as modalidades dos art. 9 e 11 requerem o elemento subjetivo dolo para se configurarem. Já a modalidade do art. 10 pode-se configurar mediante conduta culposa ou dolosa.
Foram afastadas todas as teses de responsabilidade objetiva na matéria. E no caso do dolo, esclareceu-se que se trata do dolo genérico, consistente na “vontade de realizar fato descrito na norma incriminadora”.
No tocante aos sujeitos ativos do ato de improbidade, o STF fixou entendimento de que os agentes políticos que respondem por crime de responsabilidade (exemplos: presidente, ministros de Estado, desembargadores, entre outros). não está sujeitos a incidência da lei 8429/92, dada a similitude das sanções nas duas esferas. Todavia o STF não incluiu os prefeitos nesse rol, apesar destes responderem por crime de responsabilidade.
A respeito da existência de foro por prerrogativa de função na ação por improbidade, a questão acabou se esvaziando com a não submissão de maior dos agentes políticos a Lei 8.429/92. No entanto, no caso do prefeito, como a lei continua se aplicando a este, a questão é relevante. Nesse ponto, o STF inconstitucional a alteração feita no art. 84, parágrafo 2, do Código de Processo Penal, que estendia o foro privilegiado da esfera penal  as ações de improbidade, que são consideradas ações cíveis. Assim, as ações de improbidade movidas contra os prefeitos devem ser promovidas em primeira instancia. No tocante a cumulação das sanções previstas no art. 12 da Lei 8.029/92, o STJ entendeu que estas não podem ser cumuladas de modo indistinto, em obediência ao principio de proporcionalidade. Na prática, somente em casos gravíssimos, como de enriquecimento ilícito do agente (art. 9), justifica-se a cumulação  de todas as sanções previstas no art. 12. Há casos, porém, em que a aplicação isolada da multa civil é suficiente.
No que diz respeito ao prazo prescricional para o exercício da  pretensão de aplicar as sanções de improbidade administrativa, o STF entende que a pretensão é imprescindível  quanto à sanção ressarcimento do erário. Aliás, o STF foi além ao interpretar o art.37 parágrafo 5 da CF e consagrou entendimento de que são imprescritíveis as pretensões de ressarcimento ao erário toda vez que esse é causado por ato ilícito do ofensor, seja este um ato de improbidade ou não.
Ainda em matéria de prescrição, consagrou-se o entendimento de que quando o servidor é efetivo, mas ocupa cargo em comissão quando na prática do ato, prevalece o prazo prescricional aplicável aos servidores efetivos. No caso de mais de um réu, entendeu-se que o prazo prescricional corre individualmente, de acordo com as condições de cada um. E no caso de reeleição de prefeito, entendeu-se que o prazo começa a fluir do término do segundo mandato.
No campo processual, a jurisprudência do STJ fixando vários entendimentos a cerca da medida cautelar de indisponibilidade de bens, tutela de urgência que  garantir eventual condenação pecuniária resultante da improbidade administrativa. Entendeu-se que tal medida pode alcançar bens adquiridos anteriormente a pratica de improbidade, mesmo que se trate de bem de família. Ademais, o STJ entende que a decretação de medida prescinde de in dividualizacao de bens na petição inicial  e requer apenas o fumus boni júris, estando o periculum in mora implícito na lei. Por fim STJ determina que a medida só incida sobre as bases patrimoniais da futura sentença condenatória, incluindo o valor de eventual multa civil, não podendo atingir todo o patrimônio
do acusado de ato ímprobo se não for necessário.
Ainda no campo processual, o STJ ainda não se pacificou sobre se a ausência de oportunidade para os seus apresentarem defesa preliminar antes do recebimento da inicial (art.17, parágrafo 7 da Lei 8429/92), mas também há decisões no sentido de que a nulidade só existirá se houver demonstração do efetivo prejuízo.
Cabe agora aos futuros candidatos ficarem atentos as novidades do texto da Lei de Improbidade Administrativa e as futuras decisões jurisprudenciais que certamente surgirão sobre o tema.

Por: Wander Garcia, mestre e doutor em Direito pela PUC/SP

P E N S A N D O A C I D A D E


Um provérbio dos índios americanos diz: “Ao tomar uma decisão, hoje, pense nas conseqüências até a sexta geração”, Pensar as cidades significa pensar cada vez mais longe, para as próximas gerações.
A velocidade das mudanças está provocando a erosão da memória da cidade, de sua história, de seus empreendedores. É possível, assim, encontrar, em cada cidade, estratos geracionais de memória histórica: as vivencias da geração dos anos 50/60 são marcadas pelo inicio da aceleração da urbanização, estruturas urbanas ainda relativamente estáveis, imersas num Brasil em grande parte rural. São muito diferentes as memórias da geração dos anos 90, para ela, a transformação já se realizou, vive-se numa sociedade de massas. Coexistem na cidade diferentes percepções de mundo. Com a aceleração das mudanças, o processo cumulativo da história não tem tempo de se sedimentar, gerando amnésia histórica, gerações sem memória. A própria celeridade da mudança transforma, como um caleidoscópio, a maneira de como as gerações processa as mudanças.
Na contração da dimensão do tempo na aldeia global, as mudanças estão se sucedendo de forma tão veloz, imprevisíveis, simultaneamente, em escala global, com repercussões locais com significados tão diferentes, que empalidecem as referencias do passado para o entendimento do presente, quanto mais para se perguntar sobre o futuro, antecipá-lo e agir a partir de uma consciência histórica. Enfrenta-se, assim, uma situação paradoxal de amnésia do passado e exclusão da consciência do futuro.
Disse,  Alvin e Heidi Toffler:

       O atual dilúvio de mudanças está mudando as idéias do tempo passado e tempo futuro, eliminando tanto uma quanto a outra e deixando nada além do agora. É uma situação tênue e perigosa. À medida que a aceleração das mudanças aumenta, o passado e o futuro se aproximam, comprimindo o agora em nada. E esse não é um lugar muito feliz para alguém passar a vida

Daí a oportunidade do tecido social das cidades, discutir o seu presente, passado e futuro, o espaço e o tempo onde os cidadãos podem  projetar seus sonhos. Hoje, um dos atos políticos mais significativos é o de criar oportunidades para os cidadãos poderem se encontrar para pensar a construção do futuro, visualizar os futuros possíveis, fazer escolhas: criar a memória da cidade do futuro, a partir do aqui e agora.
Os públicos-alvo dessa mensagem são: o cidadão, como usuário e destinatário final da cidade, os políticos, como responsáveis pela gestão pública da cidade; a sociedade organizada, como agente socioeconômico e político da cidade.

Autor: Wilson Tomaz de Lima

PT Curitiba entra na Campanha SOS Litoral. Saiba como ajudar

O PT de Curitiba informa que está com dois postos de arrecadação para materiais de limpeza a serem levados para o litoral. No sábado, dia 5, dirigentes e militância irão em comitiva, as 05 da manhã para a região de Antonina levar os donativos. O PT também informa que aqueles que desejarem participar, de forma voluntária, da entrega dos materiais no sábado deverão chegar meia hora antes do horário marcado. A coordenação da campanha está sob responsabilidade da vice presidente do partido, a advogada Miriam Gonçalves.
Postos de arrecadação para materiais de limpeza:
 
- Sede Estadual do PT Paraná
Rua Princesa Izabel, 160 - Bairro: São Francisco
 
- Sindicato dos Bancários
Rua Piquiri, 380

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Relator quer impedir especulação no programa Minha Casa Minha Vida 2

O deputado André Vargas (PT-PR), relator do Minha Casa, Minha Vida 2, alerta sobre algumas mudanças no programa e diz que uma das mais importantes será coibir a venda de imóveis, tendo o comprador objetivo de lucrar com a compra dentro do programa. Segundo Vargas, o mecanismo será no sentido evitar a transferência, a escrituração de terras, e a quitação antecipada. "Porque muitas pessoas utilizam o programa como forma de ganhar dinheiro. E não é esse o objetivo. O Minha Casa, Minha Vida é um programa voltado a ajudar as pessoas a conquistarem seus próprios imóveis dando condições de compra com prestações à longo prazo e juros baixos, realmente para quem precisa".

Para o deputado, na maioria das vezes o imóvel vale mais do que o valor pago e isso estimula a especulação para venda das casas. "Por isso nós vamos tentar coibir essa transação. Outra medida principal é a ampliação das moradias, de um milhão para dois milhões. Quero me dedicar a esta que é a uma das prioridades do meu mandato, a habitação, a construção de moradias e principalmente a geração de emprego na construção civil, que são dois objetivos centrais também do programa", comentou.
Vargas disse que esta é a fase de afunilar as novas regras para o programa, fazendo as adequações para que seja ampliado para os 2 milhões de moradias e não tenha os problemas já apresentados. "Isso será feito em discussão com a sociedade, com as empresas e com os prefeitos, para que nós possamos ter um programa adequado aos interesses do nosso país, da população e dos trabalhadores da construção civil".
Sobre a suspensão de alguns recursos da União o deputado informou que há um compromisso de obras do PAC do Minha Casa, Minha Vida estarem preservados desse contingenciamento. "Com os recursos oriundos do Fundo de Garantia e do Orçamento Geral da Unia, estamos garantidos e tranquilos de que não haverá suspensão do programa. Além de ser uma linha da presidenta Dilma Rousseff manter os seus programas em funcionamento. A princípio, a verba do programa subiria de R$ 14 para R$ 16,5 milhões".
Vargas acredita que foi escolhido para relatar mais esta medida do Minha Casa, Minha Vida devido ao seu trabalho na primeira fase do programa e pelo acompanhamento que vem tendo, analisado as mudanças que devem ocorrer. "Eu agradeço muito a confiança que tive do presidente Lula para ser relator de uma das medidas do Minha Casa, Minha Vida 1 e agora da presidenta Dilma de cuidar de um dos programas mais importantes do seu governo".

Assessoria Parlamentar

Investimento da Caixa em habitação cresceu mais de 50% em 2010

A Caixa Econômica Federal (CEF) investiu em 2010 R$ 77,8 bilhões em habitação, um crescimento de 57,2% ante 2009. Com esse montante a Caixa foi responsável por 70% de todo o crédito imobiliário ofertado pelo mercado, de acordo com o balanço anual divulgado hoje (11), na capital paulista, pela instituição financeira pública.

Desse total, R$ 27,7 bilhões saíram da caderneta de poupança e R$ 31 bilhões do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). Os fundos foram responsáveis pelo financiamento de 203,9 mil e 398,6 mil unidades habitacionais respectivamente.
No âmbito do programa Minha Casa, Minha Vida, a Caixa financiou 1 milhão de moradias, das quais 936,5 mil unidades tiveram intervenção direta da Caixa, com investimentos de R$ 51,3 bilhões. Foram beneficiadas 91 mil famílias com renda entre dois e três salários mínimos.
Ainda de acordo com o balanço, as operações de crédito tiveram um incremento de 41,3% em doze meses, com saldo total de R$ 175,8 bilhões. A carteira comercial foi de R$ 55,4 bilhões, 23,4% a mais do que em 2009. O saldo de pessoas jurídicas ficou em R$ 28,5 bilhões, crescimento de 21,2%. Para pessoas físicas, o saldo cresceu 25,7%, com um total de R$ 26,9 bilhões.
A inadimplência total (atrasos superiores a 90 dias) ficou em 2%, um pouco abaixo do percenrual de 2009 (2,2%).
Em 2010, a Caixa registrou lucro líquido de R$ 3,8 bilhões, alta de 25,5%. O patrimônio líquido cresceu 17,4% chegando a R$ 15,4 bilhões. O número de contas-poupança chegou a 40 milhões, com mais de R$ 129 bilhões em depósitos, deixando a Cauxa com 34,2% de participação no mercado.
Segundo a presidenta da Caixa, Maria Fernanda Ramos Coelho, o crescimento dos números da instituição com relação à habitação se deve, principalmente, às parcerias com estados e municípios e com a cadeia da construção civil, incluindo corretores e imobiliárias. "Acredito que o processo de parceria que aconteceu, principalmente depois do Minha Casa, Minha Vida, possibilitou esse resultado”.
Maria Fernanda ressaltou a grande participação do programa nas vendas às famílias com renda até três salários mínimos, superando as expectativas iniciais. Segundo ela, a Caixa se baseia em números que apontam um déficit habitacional de pouco mais de 5 milhões de moradias. “Mas tem havido uma atuação muito ativa da Caixa na oferta do crédito habitacional não só para moradia, mas para a reforma das unidades também”. A expectativa da presidenta da Caixa é a de que em 2011 sejam entregues mais de 400 mil unidades e que a carteira de crédito cresça 30%.
Agência Brasil

José Dirceu destaca importância das alianças para o governo Dilma Rousseff

Durante a reunião que comemorou os 31 anos do PT, o ex-ministro José Dirceu comparou o início do governo Dilma com o governo Lula, observando que “os desafios são outros, a conjuntura internacional é outra”. Segundo Dirceu, o governo Dilma tem mais apoio do Congresso, o que faz grande diferença. “Ela tem uma base muito mais ampla do que o presidente teve. Então ela tem vantagens”.

Sobre as diferenças de estilo entre Lula e Dilma, Dirceu afirmou que “um Lula aparece a cada 50 anos” e que Dilma já está mostrando que ela tem seu próprio modo de governar. Como ex-presidente do PT, Dirceu defendeu o envolvimento do partido na luta pela reforma política: “O PT é o partido com maior interesse na reforma política e tem um compromisso com a sociedade”, concluiu. (Chico Daniel – Portal do PT)

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Política agrária evolui em oito anos, aponta levantamento do Incra

A política agrária brasileira cresceu significativamente ao longo de oito anos. A área incorporada ao programa de reforma agrária saltou de 21,1 milhões de hectares de terras obtidos entre 1995 e 2002 para 48,3 milhões entre 2003 e 2010, um aumento de 129%. Os números foram informados, na quarta-feira (2), pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). O balanço foi sistematizado em uma publicação disponível no portal da autarquia.
A aquisição de áreas pelo Incra é feita por meio de desapropriação, compra direta para implantação de assentamentos de trabalhadores rurais ou por meios não onerosos, como a destinação de terras públicas e o reconhecimento de territórios.
O número de famílias beneficiadas também aumentou ao longo de oito anos, chegando ao total de 614.093. No mesmo período, foram criados 3.551 assentamentos. Atualmente, o Brasil conta com 85,8 milhões de hectares incorporados à reforma agrária, 8.763 assentamentos atendidos pelo Incra, onde vivem 924.263 famílias.
O trabalho de obtenção de terras para a reforma agrária foi medido em recente pesquisa feita pelo Incra sobre qualidade de vida, produção e renda nos assentamentos. Mais de 82% das famílias aprovam o tamanho do lote destinado pelo instituto.
O nível de satisfação dos assentados também foi verificado na avaliação da qualidade do solo. Nesse quesito, 81,87% aprovaram a fertilidade da terra que receberam para viver e produzir. Confira os números do balanço.
Portal Brasil